|
Num país tropical, como o Brasil, ter a pele bronzeada é sinônimo de beleza e saúde. Engano. O preço que se paga para ter um ’bronze’ é o fotoenvelhecimento cutâneo, causado pela exposição solar, que provoca ressecamento, alteração na textura e rugas na pele, além de outros efeitos indesejáveis. “Os prejuízos da exposição, principalmente na infância, merecem uma observação. Está comprovado que 80% da radiação solar de uma pessoa ocorrerá antes dos 18 anos de idade, dado a exposição que a criança e o jovem tem em relação às suas atividades ao ar livre. Por isso, não adianta começar a usar protetor solar só quando for a praia ou piscina, o ideal é usar diariamente”, comenta Dra. Eliandre Costa Palermo (CRM-SP 78723), Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
Os perigos do sol para a saúde são reais. Por isso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), em seu XXII Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica que será realizado no período de 21 a 25 de abril no Centro de Convenções Sulamérica, na cidade do Rio de Janeiro colocou o Fotoenvelhecimento como um dos principais temas a ser discutido em seu programa científico.
Dra. Eliandre Palermo, também explica que, com o tempo, a pele fotoenvelhecida perde o brilho e a elasticidade, apresenta manchas e rugas finas ou profundas, pintas e sardas como manifestação inicial dos raios solares sobre a derme. “Além do envelhecimento, a exposição exagerada ao sol aumenta também o risco do câncer de pele, neoplasia que pode levar alguns anos para se manifestar”.
É possível evitar o fotoenvelhecimento? “Ele pode ser evitado por meio da proteção solar, que precisa começar cedo, ainda na primeira infância. Recomenda-se o uso diário de protetor solar com FPS 15 ou mais nas áreas mais fotoexpostas do corpo, como rosto, pescoço, colo, braços e mãos, mesmo em dias frios, nublados ou chuvosos. O protetor precisa ser aplicado com 30 minutos antes da exposição ao sol, e deve ser reaplicado a cada duas horas. Na praia ou na piscina, não esqueçer de acrescentar o uso de chapéus, óculos escuros, camisetas ou guarda-sol, evitar se expor entre 10h e 16h, quando a radiação é mais forte. Mas o filtro solar deve ser aplicado em qualquer horário, mesmo nos momentos de menor risco”.
Tendência ao fotoenvelhecimento
Apesar dos inúmeros cuidados para evitar o fotoenvelhecimento, pessoas de pele mais clara são as mais predispostas a sofrer danos mais intensos. No entanto, o fotoenvelhecimento é um problema que atinge pessoas morenas, mulatas e negras também, embora nesse grupo os efeitos possam ser menos acentuados.
“Pessoas morenas que se exponham ao sol tem melanina com maior produção de grânulos e, assim, diante dos sinais do fotoenvelhecimento, são capazes de produzir mais colágeno. No entanto, quanto a maior a exposição, mais acentuado será o fotoenvelhecimento. E, no Brasil, temos uma população extremamente miscigenada. Assim, mesmo em pessoas negras, há componentes mais sensíveis, apesar da alta pigmentação”, relata Dra. Eliandre Palermo.
Tratamentos
Dentre os tratamentos para combater o fotoenvelhecimento, a alimentação é, sem dúvida a primeira da lista. “Quando se expõe ao sol, o organismo produz muitos radicais livres. E o consumo de alimentos antioxidantes, como morango, ameixa, laranja, cenoura e tomate, ajudam a diminuir os danos sobre a pele ao conter a ação dos radicais livres”.
Antes de iniciar o tratamento cutâneo do fotoenvelhecimento, é necessário observar os tipos de manchas, rugas e grau de flacidez para que o especialista indique a melhor terapia. Atualmente, as técnicas mais aplicadas em consultório para amenizar os efeitos da exposição solar excessiva são:
Tratamentos de formação e bioestimulação de colágeno: Luz, lasers peelings e infravermelho. São tratamentos que não queimam a epiderme e estimulam a formação de colágeno. Podem ser usados em qualquer tipo de pele, em qualquer época do ano, com pouquíssimas restrições.
Tratamentos de estimulação de colágeno baseados na aplicação de produtos. Os produtos são usados para preencher as rugas e estimular o colágeno. Os mais utilizados são: Acido Hialurônico, Ácido Polilático, Radiesse. Todos são substâncias injetáveis, que conferem maior volume e permitem a neoformação do colágeno.
Volumizadores: Acidos Hialurônicos de densidade mais espessa e maior viscosidade, utilizados para preencher e sustentar áreas na face e no corpo. Conferem melhor aspecto aos contornos corporais, maçãs do rosto, madíbula, etc.
Tratamentos de superfície: tratam a superfície da pele. Nessa modalidade, os mais consagrados são os peelings qúmicos, que podem ter várias intensidades.
Dermoabrasão: Laser e fonte de luz: abrange os lasers fracionados e não fracionados. Os lasers fracionados têm penetração pontuada com áreas afetadas e não afetadas. Penetram como uma espécie de “tela”, em que há áreas a serem tratadas ou não. Empregam alta carga de energia, mas preservam as áreas normais.
Terapia fotodinâmica: Dermatoscopia - Tratamento preventivo (no caso de câncer de pele).
Novidades
Durante o XXII Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica médicos especialistas e empresas do setor apresentarão as últimas novidades nos tratamentos de fotoenvelhecimento. “Nos cinco dias de Congresso serão mostradas as diferentes opções de aparelhos de laser de CO2 fracionados, tema muito debatido no 68th Annual Meeting da American Academy of Dermatology, que aconteceu em março deste ano em Miami/EUA”, finaliza a médica.
Sobre a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), fundada em 1988, tem como objetivo o incentivo ao ensino, estudo, aprimoramento e pesquisa na área de cirurgia dermatológica e procedimentos afins.
A SBCD procura contribuir, no sentido de defender os interesses da cirurgia dermatológica e de seus associados, sempre que solicitada.
A SBCD procura auxiliar na definição de atos e procedimentos dermatológicos; na delimitação de área de atividade do dermatologista e outros assuntos relacionados á cirurgia dermatológica sempre em conjunto e concordância com a Sociedade Brasileira de Dermatologia.
|